Poupança ou CDB?
A dúvida entre poupança ou CDB é extremamente comum entre os brasileiros, especialmente para quem está começando a investir ou quer apenas proteger o dinheiro da inflação. Apesar de serem aplicações simples e bastante populares, poupança e CDB funcionam de formas diferentes, principalmente quando analisamos rentabilidade, liquidez e risco. Neste artigo, você vai entender de forma clara e objetiva qual é a diferença entre poupança e CDB, quanto rende cada uma das aplicações, quando é possível resgatar o dinheiro e qual é o risco real envolvido nesses dois investimentos.
O que a poupança e o CDB têm em comum?
Antes de falar das diferenças, é importante entender um ponto-chave: tanto na poupança quanto no CDB você está emprestando dinheiro ao banco. Por exemplo, uma poupança ou um CDB do Banco Itaú representam o mesmo tipo de operação: você está emprestando dinheiro para o Itaú. Em troca, o banco paga um rendimento, ou seja, juros. Além disso, ambos investimentos contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que cobre até 250 mil reais por CPF e por instituição financeira, o que traz uma camada extra de segurança. Logo, se o montante de uma aplicação na poupança ou CDB ultrapassar 250 mil reais, então, apenas o valor excedente não será coberto pelo FGC.
Como funciona a poupança na prática
A poupança é o investimento mais tradicional do Brasil. Quase todo brasileiro já teve, tem ou conhece alguém que utiliza a poupança como principal forma de guardar dinheiro. Inclusive, antigamente, existiam propagandas massivas para que o público em geral investisse suas economias na poupança. No entanto, os rendimentos da poupança possuem uma regulação específica de acordo com as normas do Banco Central do Brasil (BCB). As instituições financeiras não podem utilizar o capital proveniente das cadernetas de poupança de forma livre. Na verdade, uma boa parte desses recursos precisa retornar para a economia através da concessão de crédito imobiliário.
Rentabilidade da poupança
O rendimento da poupança está ligado à taxa Selic e à Taxa Referencial (TR). Quando a taxa Selic é menor ou igual a 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é igual a 70% da Selic. Por exemplo, se a Selic for igual a 8% ao ano, então, o rendimento da poupança é igual a 5,6% ao ano. Por outro lado, quando a taxa Selic é maior do que 8,5% ao ano, então, o rendimento da poupança é igual a 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial. Nos meses de novembro e dezembro de 2025, a taxa Selic estava em 15% ao ano. Nesse caso, a poupança rendeu 0,6732% em dezembro de 2025, pois a TR estava em 0,1723%. De forma anualizada, isso equivale a 8,38% ao ano. Na tabela a seguir apresentamos um resumo sobre a rentabilidade da poupança em função da Selic.
| Selic | Menor ou igual a 8,5% ao ano | Maior que 8,5% ao ano |
| Poupança | 70% da Selic | 0,5% ao mês + TR |
Poupança e inflação
O grande problema é que, na prática, a poupança raramente consegue superar a inflação. Isso significa que, mesmo vendo o saldo aumentar, o investidor perde poder de compra ao longo do tempo. Além disso, outro ponto pouco conhecido é o chamado “mêsversário da poupança”: (1) o dinheiro só rende se permanecer aplicado por 30 dias completos; (2) se você resgatar antes desse período, não recebe nenhum rendimento.

Liquidez e imposto de renda na poupança
Apesar da desvantagem no que se refere à rentabilidade, a poupança possui liquidez imediata, ou seja, você pode resgatar ou transferir os recursos a qualquer momento. A poupança funciona basicamente como uma conta que é remunerada mês a mês. Portanto, se você ficar movimentando o dinheiro, ele não estará exposto ao efeito exponencial dos juros compostos. Além disso, cabe destacar que as aplicações na poupança são isentas de imposto de renda, então, os rendimentos não são tributados. Embora a isenção do imposto de renda seja uma justificativa utilizada por muitos investidores para manter seus recursos aplicados na poupança, a ausência de imposto não compensa a baixa rentabilidade do investimento.
O que é o CDB e por que ele costuma render mais?
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) também é um empréstimo ao banco, mas com uma diferença importante: o banco pode usar esse dinheiro com mais liberdade, e por isso paga juros maiores ao investidor. A maioria dos CDBs rendem um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é uma taxa que acompanha de perto a Selic. Por exemplo, a rentabilidade de um CDB pode ser igual a 120% do CDI. Logo, quando os juros estão altos, o CDB dispara em rentabilidade, enquanto a poupança fica travada. Se a Selic for igual a 15% ao ano, por exemplo, um CDB com rentabilidade igual a 120% do CDI terá um rendimento bruto de 17,88% ao ano. Na prática, observamos que: (1) CDBs de 100% do CDI ou mais costumam render muito acima da poupança; (2) em cenários de juros elevados, a diferença se torna ainda mais gritante.
Liquidez, imposto de renda e IOF no CDB
Existem dois tipos principais de CDBs: (1) CDB com liquidez diária: ideal para reserva de emergência; (2) CDB com vencimento para 6 meses, 12 meses, 18 meses, dentre outros prazos: ideal para objetivos de médio e longo prazo. Além da diferença quanto à liquidez, os CDBs com vencimento mais longo costumam oferecer uma rentabilidade maior para os investidores se comparado aos CDBs com liquidez diária, pois o banco consegue trabalhar com o dinheiro por mais tempo e aproveitar melhores oportunidades de mercado. Ao contrário da poupança, o CDB possui imposto de renda, conforme as regras da tabela regressiva da renda fixa. Cabe destacar também a incidência de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), caso o resgate ocorra antes de 30 dias. Esse imposto pode consumir praticamente toda a rentabilidade no curto prazo. Portanto, após 1 mês da aplicação, o CDB passa a render de forma muito mais eficiente.

Risco: CDB é mais arriscado do que a poupança?
Muita gente acredita que a poupança é mais segura que o CDB. Na prática, isso não é verdade. Se você investir na poupança ou no CDB de um mesmo banco, na verdade, o risco é o mesmo, pois ambos estão protegidos pelo FGC dentro do limite de 250 mil reais. Se o banco quebrar, poupança e CDB entram na mesma fila de ressarcimento. Isso é exatamente o que aconteceu no caso da liquidação extrajudicial do Banco Master ao final de 2025.
Afinal, vale mais a pena poupança ou CDB?
A poupança pode fazer sentido se você está dando o primeiro passo nos investimentos ou se precisa guardar dinheiro por pouquíssimo tempo ou se ainda não tem acesso ou conhecimento sobre outros investimentos. Mesmo assim, deve ser algo temporário. Por outro lado, o CDB é a melhor escolha se você quer preservar o poder de compra ou se busca mais rentabilidade com o mesmo risco ou se precisa de uma reserva de emergência (CDB com liquidez diária) ou se tem objetivos de médio ou longo prazo. Embora os rendimentos do CDB sejam tributados, ainda assim esse tipo de aplicação geralmente apresenta uma rentabilidade líquida bem superior à poupança.
Conclusão: poupança ou CDB?
Quando comparamos poupança ou CDB, concluímos que o CDB vence em praticamente todos os critérios, ainda que ambos investimentos apresentem o mesmo nível de risco. O CDB rende mais, pode ter liquidez diária e protege melhor o seu dinheiro da inflação. Para os bancos, a poupança é uma fonte de captação de dinheiro muito mais barata se comparada ao CDB e outros produtos de renda fixa. Logo, dificilmente a poupança será extinta como produto de investimento, embora, do ponto de vista do investidor, ela não seja a melhor escolha financeira para quem quer fazer o dinheiro trabalhar de verdade.
Perguntas Frequentes sobre Poupança e CDB (FAQ)
1) Como é que funciona a poupança?
Ao aplicar na poupança você está emprestando dinheiro para o banco em troca de juros. O rendimento da poupança está atrelado à taxa Selic e à Taxa Referencial (TR).
2) Qual é o rendimento de uma poupança hoje?
Se a Selic for menor ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic. Se a Selic for maior que 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR.
3) O que com o CDB se o banco quebrar?
Se o CDB estiver coberto pelo FGC, então, no limite de 250 mil reais, o investidor será ressarcido pelo FGC.
4) Quanto tempo o dinheiro pode ficar no CDB?
Isso depende se o CDB possui liquidez diária ou não. Se a liquidez for diária, você pode resgatar a qualquer momento. Se não, aí é necessário verificar o prazo de vencimento.
5) O que é mais seguro, CDB ou poupança?
Se forem de uma mesma instituição financeira, ambos possuem o mesmo nível de risco nas condições do FGC.
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